Teologia que te leva a colocar Jesus de lado

​Muitos estão pregando que o segredo da vida cristã é a prosperidade financeira e consequentemente alicerçam a “fé” nas coisas materiais. A maioria das pessoas costumam reagir bem a esse tipo de mensagem, pois é exatamente o que procuram. Cria-se uma conciliação entre o que os supostos representantes de Deus dizem e o que essas desejam ouvir, revogando toda verdade contrária.

​A questão é que isso é exatamente o contrário da instrução de Jesus para os seus discípulos. Por isso, a única forma de sustentar essa narrativa é alterando o entendimento bíblico e atribuindo a Jesus palavras que Ele não falou. A exemplo de “todas as coisas lhes serão acrescentadas“, quando na verdade Jesus diz: “Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6:33), não é “todas as coisas” e sim “todas essas coisas”. No contexto, Ele se refere unicamente às necessidades básicas (comida, bebida e vestuário) que Ele próprio acabara de citar. 

É importante observar que, é impossível buscar primeiro o reino dos céus e sua justiça com o coração inclinado às coisas da aparência deste mundo. São coisas antagônicas. Por isso a instrução é para que tiremos nossos corações das coisas do mundo e Ele nos acrescentará segundo a necessidade que temos.

O ensinamento verdadeiro é que devemos nos submeter a Deus em tudo, e não estar inquietos com as coisas do mundo como confirma o texto a seguir: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças” (Filipenses 4:6)

Um exemplo prático disto é a oração do apóstolo Pedro no evento de Dorca. Segundo o texto bíblico ele não determinou absolutamente nada,  antes foi orar ao Senhor. Então, depois de receber a instrução do alto, profere a palavra de autoridade(Atos 9: 36-42)

​Em nome de uma teologia que só visa a prosperidade financeira e tem alicerce apenas nos bens passageiros — onde a traça e a ferrugem destroem (Mateus 6:19) —, minimizam a figura de Cristo. Pregam que Jesus já fez a parte dEle e que agora basta “usar a autoridade para tomar posse“, enquanto Jesus diz exatamente o contrário ao afirmar: Eu sou a videira, vós, as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podereis fazer. (João 15:5). 

A ideia é justamente a de colocar o Senhor de lado e atribuir ao homem um poder que ele não tem, segundo uma ótica totalmente deturpada e pervertida. 

​Acreditar que se pode usar a autoridade de Cristo para se reportar ao diabo, sem considerar o próprio Cristo e os seus ensinamentos, é o mesmo que se comportar como os filhos de Ceva, que tentaram expulsar espíritos malignos dizendo: Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega” (Atos 19:13). Isso não surte efeito prático; as pessoas que absorvem essa doutrina vivem “apanhando” espiritualmente e não encontram descanso para suas almas.

​Jesus nos ensina a desapegar dos bens terrenos, a não ajuntar tesouros na terra (Mateus 6:19) e a não nos inquietarmos com o que comer, beber ou vestir (Mateus 6:25).

Todas essas mentiras certamente promovem um modelo de religião que se utiliza da figura de Jesus, mas sem verdadeiramente serví-Lo, induzindo aos praticantes a não considerar uma das principais declarações do Senhor: O meu Reino não é deste mundo (João 18:36).